quarta-feira, 2 de julho de 2008

Trabalho 4

A Cartomante

Versão do ponto de vista de Vilela

(Gilvan, Jefferson, Genivaldo, Ramon, Charles – 201)

- Já faz anos desde que parti. A última vez que estive aqui ainda era jovem, cheio de vida. Disse Vilela, olhando para Rita. Ambos ainda a bordo do navio.

- Não guardo muitas lembranças daquela época, continua Vilela, mas única coisa de que vale a pena lembrar e de meu amigo Camilo, aquele sim é amigo deveras. Nós somos amigos desde pequenos, quando ainda éramos garotos. Foi naquela época que decidi seguir a carreira de magistrado. Camilo entrou no funcionalismo, contra a vontade do pai, eu achava engraçado; disse Vilela com sorriso na face, como se aquele momento acabara de acontecer; ele queria que Camilo fosse médico, mas Camilo sempre dizia que iria fazer o seu próprio futuro; depois de uma pequena pausa Vilela continua, mas agora não há mais um sorriso em sua face, e sim um olhar de tristeza; logo depois o pai de Camilo morreu, e ele decidiu então não ser nada, até que sua mãe lhe arranjou um emprego público.

Agora Vilela faz uma pausa maior ainda, deixando que apenas o som do mar tome conta do ambiente; agora Vilela já avista o porto, seus olhos brilham, e seu corpo se enche de esperança e alegria em poder voltar a sua terra natal. Então retornando o olhar para Rita Vilela completa:

- Hoje volto da província, já casado com uma moça formosa, que deveras é a mulher que amo; disse Vilela segurando a mão de Rita, que olha Vilela com grande amor e ternura.

Ambos se calam, apenas se olham.

Neste momento o navio chega a seu destino, lá já estava Camilo a espera de Vilela. Camilo então vai a bordo recebe seu grande amigo. Quando Camilo se aproxima de Vilela, logo é surpreendido pela pergunta de uma linda e formosa moça:

- É o senhor? Exclamou Rita. Estendendo-lhe a mão. Não imagina como o meu marido é seu amigo; falava sempre do senhor.

Vilela e Camilo olharam-se com ternura. Eram amigos deveras. Era a primeira vez que Vilela via Camilo depois de anos. Camilo ajudou Vilela a se instalar em sua nova residência. Uniram-se os três. Convivência trouxe intimidade, Camilo gostava de passar horas com os dois, principalmente com Rita: ela era sua enfermeira moral, quase uma irmã. Vilela não desconfiava de nada, pois Camilo era seu grande amigo e afinal de contas Camilo e Rita liam os mesmos livros, iam juntos a teatros e passeios, Camilo ate lhe ensinou a jogar damas e o xadrez; Vilela pensava que a proximidade vinha daí.

Pouco depois morreu a mãe de Camilo, e nesse desastre, que o foi, os dois mostraram-se grandes amigos dele. Vilela cuidou do enterro, dos sufrágios e do inventário; Vilela ainda pediu que Rita reconfortasse Camilo, pois ele já perdeu o pai e agora perder a mãe é um golpe muito bruto que a vida lhe deste.

Vilela teve um grande sucesso em seu trabalho de advogado. Um dia no aniversário de Camilo, Vilela o presenteou com uma rica bengala revestida de prata com detalhes em ouro. Rita não sabia o que dar a Camilo então lhe deu um cartão com um vulgar comprimento a lápis; mas Camilo não conseguia retirar os olhos daquele cartão. Seus olhos brilhavam enquanto liam aquelas palavras escritas a próprio punho de Rita.

Dias se passaram. Vilela começou a percebe o comportamento estranho de sua esposa. Ela já não o olhava com amor e ternura como antes, agia como se escondesse algo, olhava para Vilela como para qualquer outro, seus olhos eram sempre frios, assim como suas ações. Mas com Camilo era diferente, quando estavam próximos ela tinha mais vida, mais alegria. Rita começou a sair à noite, sempre dizia que ia dar uma volta para tomar um ar. Vilela já estava ficando preocupado, já quase não conseguia trabalhar direito.

Um dia Vilela resolveu seguir Rita, para ver aonde ela ia e o que ela fazia. Quando chegou a noite, esperou Rita sair, esperou um tempo e foi logo atrás. Vilela estava muito preocupado com que ia ver, mesmo assim continuou a segui-la. Rita apenas deu uma volta como tinha dito. Vilela se sentia bastante culpado por ter duvidado de Rita:

- Como posso duvidar da mulher em que fiz juras de amor eterno, pensava Vilela aflito, ela não me perdoaria nunca se soube-se o que pensei a teu respeito.

Dias se passaram. E Camilo começou a rarear as visitas à casa de Vilela. Este logo notou-lhe as ausências. Vilela perguntava o motivo e Camilo sempre respondia que era por causa de uma paixão frívola de rapaz. As ausências prolongaram-se, ate que as visitas cessaram inteiramente. Vilela voltou a desconfiar de Rita. Então voltou a seguir Rita. Desta vez Rita foi até a rua da Guarda Velha, a rua estava deserta, apenas Rita andava pela rua. Chegando quase no fim da rua, Rita entrou em uma velha casa, que em sua entra havia uma pequena placa, pintada à mão, com letras tortas, mas sem erro de gramática. Na placa dizia “Madame Aurora – a grande cartomante”.

Já era de se esperar, Rita toda vida foi supersticiosa, ao contrário de Vilela que nunca acreditava em nada do gênero. Vilela ficou ali, próximo a casa da cartomante durante 2 horas aproximadamente, até que Rita saiu. Rita parecia estar aliviada, o seu rosto estava repleto de esperança.

Rita continuou andando até que sumiu das vistas de Vilela. Então Vilela resolveu entrar na casa da cartomante. E dirigindo-se a ela ele perguntou:

- “Grande cartomante”! Disse Vilela com um tom de ironia, gostaria de saber o qual é o motivo de minha esposa estar tão estranha?

- Vamos ver o que os astros dizem. Disse a cartomante, enquanto colocava as cartas sobre a mesa.

- Deixe de besteira, sua velha! Interrompe Vilela, agora com um tom de sarcasmo, todo mundo sabe que isso é vigarice.

- Olha aqui meu senhor, se você acha que pode...

- Escuta, ainda não acabei! Disse Vilela em um tom de voz um pouco mais alto, interrompendo novamente a cartomante. Eu não acredito nessas coisas, mas minha esposa acredita. E se você me ajudar será muito bem recompensada. Termina Vilela, colocando uma grande quantia em dinheiro sobre a mesa da cartomante. Os olhos da cartomante queimavam, como se estivessem em brasa viva. Logo aquela velha que se dizia cartomante, disse tudo que sabia para Vilela.

Aquilo que era uma dúvida se tornou certeza: Rita estava o traindo deveras. Mas ainda não sabia com quem. Essa era a única pergunta que passava na cabeça de Vilela; com quem será que Rita esta me traindo?

- Gostaria que você continuasse a dizer a ela, e a quem perguntar sobre o assunto, que está tudo bem e que eu nunca irei descobri. E é claro, me diga tudo o que você descobrir daqui para frente. Disse Vilela à cartomante.

- O que eu ganho com isso? Perguntou a cartomante com um sorriso ganancioso na face.

- Hoje cedo enquanto andava pela cidade percebi que no final da rua há uma banca de frutas. Argumenta Vilela; uma vez por semana irei ate lá e deixarei pago uma caixa de passas.

- E o que eu farei com passas? Pergunta a cartomante.

- Aí é que está! Dentro da caixa junto com as passas deixarei essa mesma quantia. Disse Vilela já em direção à saída da casa da cartomante. Apenas faça o combinado. Termina Vilela; que continua saindo, agora já na rua.

Chegando em casa, Vilela percebe que Rita já está dormindo. Então aproveita a oportunidade para olhar as coisas de Rita; afinal ele ainda não sabe com quem Rita está o traindo. Vilela após mexer em uma caixa, em que Rita guardava seus pertence mais íntimos, achou uma carta anônima destinada Camilo, que lhe chamava de imoral e pérfido, e que sabia de tudo sobre ele e Rita.

Naquele momento Vilela olhava horrorizado para a carta, não queria acreditar que seu melhor amigo, o único deveras, iria lhe trair com sua esposa. Ele ainda estava na fase de negação. Tentou dormi, mas não conseguia, não com essa noticia. Poderia ser com qualquer um que ele iria entender, mas não com ele; seu melhor e único amigo de verdade.

Logo o dia amanhece. Agora Vilela esta na fase de aceitação. Vilela voltou a encontrar a cartomante, e a cumprir o combinado que ele fez com ela. Vilela estava cada vez mais sombrio como se a vida não importasse mais para ele. Um dia mandou um bilhete para Camilo que dizia “Vem já, já, a nossa casa; preciso falar-te sem demora”. Ele ainda não estava certo de que ia fazer. Foi em seu quarto buscou sua arma. Rita estava lá; e ela aflita perguntava o que ele iria fazer com aquilo. Vilela não a respondeu nada. Apenas dirigiu-se para os fundos de sua casa. Ele estava frio, sem nenhuma expressão em sua face, como se não existisse mais vida ali. Rita foi a seu encontro chorando.

- Você já sabe de tudo, não é? Pergunta Rita horrorizada ao ver o estado do marido. Não foi nossa culpa apenas aconteceu. Completa Rita aos prantos.

Neste momento Vilela aponta o revólver em direção a sua cabeça com intenção de suicídio. Mas Rita puxa a arma antes do disparo assim acertando seu peito. Rita caiu ali, morta, toda ensangüentada. Neste momento Vilela desiste do suicídio e conclui: Isto tudo e culpa daquele ingrato, mentirosos, que eu considerava um irmão, meu único amigo que confiava de verdade. Ele sim deve morrer!

Essas palavras ficavam se repetindo na mente de Vilela até que ele ouve alguém chegar. E o Camilo só poder ser; ele pensa. Vilela vai ao encontro de Camilo. Um silêncio absurdo toma conta do ambiente. Vilela então faz um sinal para Camilo o acompanhar ate os fundos da casa, onde esta o corpo de Rita. Como se ele quisesse que Camilo visse Rita pela última vez, e que soubesse que é o único responsável por tudo.

Ao chegar Camilo não pode sufocar um grito de terror: - ao fundo sobre o canapé, estava Rita morta. Vilela pegou Camilo pela gola, e, com dois tiros de revólver, estirou-o morto no chão.

Agora sim está tudo acabado; pensou Vilela; Agora vocês podem permanecer a eternidade juntos.

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