quarta-feira, 2 de julho de 2008

Trabalho 2

A CARTOMANTE Versão: Camilo

(Carla Priscila, Maria Dilaine, Ysmara, Simone, Marcilene, Shirlene, Ingride, Angélica, Davidson, Diego e Robin – 202)

Eu, Vilela e Rita, três nomes, uma aventura.

Eu era amigo de Vilela, Vilela seguiu a carreira de magistrado e eu era funcionário público. Meu pai não gostou, ele queria que eu fosse médico, mas ele morreu então eu preferi ser nada até que minha mãe me arranjou um emprego público.Em 1869 meu amigo Vilela voltou da província é casado com uma moça formosa tanto ele abandonou a magistratura e criou um centro de advocacia.Eu lhe arranjei casa ao lado de Botafogo e a bordo fui recebe - los.Rita perguntou como eu estava,estendendo me a mão não imaginava como meu marido era seu amigo;falava sempre do senhor.

Eu e Vilela nos olhamos com ternura, somos amigos deveras, depois eu confessei de mim pra mim que a mulher do meu amigo não desmentia as cartas do marido. Realmente ela era graciosa e vivia nos gestos, olhos que boca fina e interrogativa. Ela era pouco mais velha que nós dois, contava trinta anos. Meu amigo Vilela tinha vinte e nove e eu vinte e seis, entretanto Vilela parecia ser mais velho que a mulher.

Nós nos unimos e a convivência trouxe muita intimidade. Pouco depois minha mãe morreu e com esse desastre Vilela e Rita foram se mostrando grandes amigos, Vilela cuidou do enterro e do inventário e Rita tratou especialmente do coração e ninguém o faria melhor.

Com esse acontecimento o amor chegou e eu nem percebi. A verdade é que eu gostava de passar as horas ao lado dela que era minha enfermeira moral, quase minha irmã, mas ela era principalmente mulher e muito bonita, ela tinha um odor feminino em volta dela. Nós tínhamos os mesmos gostos, íamos juntos ao teatro, aos passeios pela cidade. Eu a ensinei a jogar damas e xadrez, nós jogávamos todas as noites, ela jogava mal e eu pra ser agradável com ela jogava menos mal. Observava as suas ações seus olhos teimosos que procuravam os meus que eu consultava antes de olhar para o marido, as suas mãos frias, suas atitudes eram insólitas.

Um dia eu fazendo aniversário recebi de meu amigo Vilela uma rica bengala de presente e de sua esposa apenas um cartão com um vulgar comprimento a lápis e foi então que eu pude ler no próprio coração e eu não conseguia arrancar os olhos do bilhete, usava palavras vulgares e pelo menos deleitosos e eu quis sinceramente fugir, mas já não pode.Rita foi me cercando me envolvendo todo.Eu fiquei atordoado e subjugado, vexames, sustos, remorsos, desejos tudo senti de misturas.

Um dia eu recebi uma carta anônima que me chamava de imoral e pérfido e disse que a aventura era sabida a todos. Eu tive medo e para desviar suspeitas comecei a rarear as visitas para casa de Vilela.

Eu respondi que o motivo era uma paixão frívola de rapaz. Foi aí que a Rita foi à cartomante. Passando-se as semanas eu recebi mais duas ou três cartas anônimas e tão apaixonado estava que não pude ver a advertência da virtude. Eu fiquei mais sossegado, Rita achava que eu deveria voltar à casa de seu marido, eu divergia, pois aparecer depois de tanto tempo era confirmar a suspeita ou a denúncia, mas valia acautelar sacrificando-me por algumas semanas.

No dia seguinte eu recebi um bilhete de Vilela. ''Vem já a nossa casa, preciso lhe falar sem demora'', era mais de meio dia, eu sai logo. Repetia eu com os olhos no papel ''Vem já, já. Vem logo a nossa casa''. Eu andando inquieto e nervoso. Eu em mim mesmo estimei o obstáculo e inspirei, no final de cinco minutos reparei que ao lado à esquerda ao pé do tílburi que estava estacionado ficava a casa da cartomante a quem Rita consultava, olhei e vi as janelas fechadas quando todas as outras estavam abertas e pejadas de um curioso incidente da rua. Eu me reclinei ao tílburi para não ver nada, a agitação era grande e no fundo ermegia alguns fantasmas, o cocheiro me propôs que eu voltasse e fosse por outro caminho mas não fui, resolvi-me inclina-me mais para ver a cartomante, assim ela foi se desaparecendo e reaparecendo, na rua alguns homens tentavam ajeitarem-se por causa do incidente, gritando “Vai, vai!” e eu, sem pensar, empurrei a porta.

Eu fechava os olhos e pensava em outra coisa, mas minhas pernas queriam entrar eu achei que estava diante de um véu no espaço, pensei rapidamente no inexplicável de tantas coisas, quando dei por mim já estava na porta e rapidamente enfiei-me pelo corredor e subi as escadas. A luz era pouca, os degraus comidos pelos pés, os corrimões pegajosos e eu não vi, nem sentia nada. Comecei a bater uma, duas, três vezes. Assim apareceu uma mulher, era a cartomante, eu disse que queria uma consulta. Daí, subimos ao sótão por uma escada pior do que a primeira e mais escura. Havia uma salinha que dava para o telhado do fundo, um ar de pobreza.

A cartomante fez me sentar diante da mesa e sentou-se ao lado oposto com as costas para janela, abriu uma gaveta e tirou um baralho de cartas compridas e enxovalhadas. Enquanto embaralhava rapidamente eu olhava para ela. Era uma mulher de quarenta anos, italiana, morena e magra com grandes olhos e sensos agudos.

Colocou três cartas sobre a mesa e disse-me:

_Vejamos primeiro o que é que o traz aqui? O senhor tem um grande susto.

A cartomante não sorria dizia-me que esperasse. Pegando outra vez as cartas e eu mantendo os olhos nela curioso e ansioso.

Através das cartas dizia-me:

_Elas declararam-me que não tivesse medo de nada. Que eu ignorasse tudo.

Então, falou-me do amor que me ligava a beleza de Rita e que eu estava deslumbrado com tudo que estava acontecendo.

Ela então levantou sorrindo e disse-me:

_Vá ragazzo innamorato...

E de pé tocou-me com o dedo na testa, eu estremeci e me levantei também. Eu ansioso para sair, não sabia como pagar ou ignorava o preço.

Tirei a carteira e perguntei quanto queria?

Ela me falou que perguntasse ao meu coração.

Eu pensando, tirei uma nota de dez mil reais e dei a ela.

Ela me falava que eu gostava dela e que eu fazia muito bem pois ela também gostava de mim, me falou para ir tranqüilo.

Eu despedi-me dela e achei o tílburi esperando. Tudo parecia melhor, todas as coisas pareciam melhor, todas as coisas me traziam outros aspectos.

Falei ao cocheiro para irmos depressa, pois estava atrasado ao encontro de Vilela.

Lembrado das palavras da mulher “Vá, vá, ragazzo innamorato”. Meu coração ia alegre e impotente. Eu olhei para o mar estendi meus olhos para fora, até onde a água e o céu dava aos braços infinitos e tive uma sensação do futuro.Longo, longo, interminável.Cheguei a casa de Vilela, empurrei o portão de ferro do jardim e entrei,a casa estava silenciosa,subi os seis degraus de pedra e mau tive tempo de bater na porta ela abriu e apareceu Vilela.

Pedi-lhe desculpa por não ter vindo mais sedo?

E meu amigo responde-me fazendo um sinal e fomos para uma saleta interior, entretanto eu não pude sufocar meu grito de terror. Ao fundo sobre o canapé estava Rita morta e ensangüentada. Vilela pegou-me pela gola, e com dois tiros de revólver estirou-me morto no chão.

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